Você perdoaria uma traição?

Você perdoaria uma traição?

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou… e tu foi o feliz contemplado desse lindo e belíssimo “chapéu de chifres”. Um amigo meu costuma dizer que “traição é como consórcio… quando tu menos espera, tu é contemplado”.

O que tu tem a dizer? Tu perdoaria uma traição? Olhando pelo prisma da pessoa traída – seja ela homem ou mulher – uma traição é uma agressão. Poder não ser física, mas é sim moral, psicológica e emocional. Duvida? Vamos aos fatos.


Uma traição só pode acontecer em um contexto de relacionamento sério (namoro, noivado, casamento) onde existe um compromisso verbal e/ou no papel, além do sentimental. Ou seja, toda uma engenharia social foi feita para que o relacionamento acontecesse, onde outros possíveis parceiros foram descartados, onde amigos solteiros ficam um pouco de lado, onde a família perde um pouco de contato, onde qualquer programa terá quer ser decidido a dois, entre outras coisas oriundas de tal compromisso.

Um dos quesitos básicos para relacionamento sério é a fidelidade. Portanto, em qualquer relacionamento sério está implícito o conceito da “exclusividade”. Ou seja, um na vida do outro é único – ou digamos, especial – um pouco mais importante do que os demais.

Quando a pessoa que é traída descobre, ela cai desse pedestal de “exclusividade” para um “buraco” tão profundo que é difícil pra mente humana entender, racionalizar e se defender. A mente não consegue categorizar, por assim dizer, o que o traído passa a ser para traidor. Pra quem não sabe, nossa psique trabalha com associações. Portanto, não é mais o exclusivo, não é mais amigo, não é mais o estranho. “O que eu sou pra ele(ela)?” – ecoa na mente da pessoa traída. Além disso, houve a quebra do acordo verbal e/ou papel, houve a mentira e/ou omissão do fato, ocorreu a total falta de respeito para com o traído(a), além de fazer o mesmo de trouxa. O traído sente que todo o esforço, tempo e dinheiro despendido foi inútil. E o pior, aprece o sentimento de culpa… Aquele sentimento de que: “Onde eu errei pra que isso acontecesse?”. Agora, pense na incoerência: a pessoa é traída e ela é a culpada? Ela é razão de ser a otária da turma? Ela é a culpada pela vergonha que ela está sentindo?

Mas, assim como a moeda tem dois lados, vamos olhar [ou tentar] pelo prisma do traidor. Ele pode alegar muitos motivos pra isso. As mulheres usam muito aquele mantra: “Mulher não trai, mulher se vinga” – o que pra mim é de uma canalhice extrema, pois se realmente quisessem dar uma lição no safado, não se rebaixariam ao mesmo nível… apenas mandariam ele pastar e deixar ele ver de camarote a tua felicidade enquanto ele fica se remoendo pelos cantos… Já os homens justificam a traição dizendo que “foram procurar fora o que não tinham dentro do relacionamento” – outra babaquice sem tamanho, porque se não ta tendo o que quer no relacionamento, pra que manter ele então?

Mas enfim, esse lado da moeda, do traidor, pode ter todos os motivos mais bem explicados e embasados possíveis, mas não tem justificativa para a escolha feita. Traição é uma ação que em algum momento o executor (no caso o traidor) decidiu fazer. Portanto, não vale dizer que simplesmente “aconteceu” ou “tu não teve força pra evitar”. O que “aconteceu” é que tu fez uma escolha errada, com base em um momento em que teus hormônios estavam a mil, largou todos os teus puderes e te entregou ao prazer momentâneo.

O traidor começa traindo a si mesmo. Primeiro por não manter e/ou valorizar a própria palavra – o que me faz pensar que se a palavra de uma pessoa não vale nem pra ela, o que se pode dizer para as outras pessoas? Segundo, porque mostra que não têm muita índole, já que não respeitou o ser humano que estava ao seu lado, sendo desonesto e mentiroso. Se o relacionamento tava uma merda… terminasse.

“A mais aquela guria é mais gostosa que a minha namorada, tava me dando mole… tinha que provar que sou homem…”

Em uma sociedade onde os valores tradicionais estão em decadência, uma situação como essa tu pode até ter tua masculinidade colocada a prova, porém valores como honra dignidade e respeito não valem mais nada então? Quer dizer que ser homem atualmente é “comer” todas as mulheres que querem abrir as pernas pra ti?

“A mais aquele guri é tão lindo, tem um papo tão bom… Todas as garotas querem ele… Não podia perder essa chance”

Sim, realmente tu não podia perder a chance de ser o troféu na mão de um cafajeste qualquer, além de ser rotulada de vagabunda por grande parte do teu círculo feminino de amizades, isso sem se falar que o guri contará aos amigos dele que te pegou, fazendo com que todos os demais queiram fazer o mesmo.

 

Se tu é do lema: “Eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”, eu sugiro tu acrescentar dois parágrafos: “1) – Serei de todo mundo enquanto for solteiro(a)” “2) – E todo mundo será meu também, desde que esteja solteiro(a)”. Dessa forma, ninguém pode falar uma vírgula da tua vida, pois é tua escolha e tu não está prejudicando ninguém – a princípio. Se é certa ou não [essa escolha], isso depende única e exclusivamente do conjunto de padrões morais que tu tem.

O que acontece com essa cultura de traição é que a sociedade atual não tem culhões pra aguentar a consequência das próprias escolhas. Prefere sempre escolher o caminho mais cômodo, que vai dar prazer à curto prazo, onde não seja necessário tomar uma posição firme e dela não abrir mão. É por isso que os relacionamentos “sérios” são motivos de piada, vistos com tanta descrença e falta de confiança, mesmo sendo uma vontade da grande maioria. É por isso também, que pessoas que não traem são rotuladas de retrógradas e sem graça.

Concordo plenamente com o texto do Renatto “Infidelidade Masculina e seu QI”, porém emprego isso para as mulheres também. Tem mulher hoje em dia que nessa questão consegue colocar o melhor dos cafajestes no bolso, com um sorriso nos lábios e de salto alto.

Assim sendo, do ponto de visto racional, traição não tem perdão. Por amor próprio, tu aceita alguém que te rejeitou e humilhou em razão 15 minutos de prazer com outra pessoa? Pela lógica, tu aceita continuar um relacionamento com uma pessoa que PROVOU por “a + b” que não é digna de confiança nessa área? A resposta deveria ser um sonoro NÃO.

Porém, não temos apenas neurônios envolvidos nessa questão. Tem um tal de coração “na jogada”. E quando esse individuo resolve se meter no negócio…

Artigo escrito pelo contribuinte André Luis.

4 Comentários

  1. Rainha de Oz 2 de May de 2013
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    Apesar de ter uma visão mais profunda do que significa a traição e a fidelidade, o texto é bom.
    Principalmente no 4º parágrafo debaixo para cima, em que apresenta uma parte social dessa questão bem importante.

    Ainda precisamos muito analisar a fidelidade através dos instintos. Nunca esquecer que a fidelidade foi algo criado pela sociedade/religião, não é inata ao ser humano. Dessa forma, puxamos muito mais uma questão de respeito e de hombridade.

  2. roberto 2 de May de 2013
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    Fazia tempo que não via uma postagem séria e com conteúdo no mdr. Bem elaborado, sem tendencias de sexismo e falando a real.

  3. Xris 2 de May de 2013
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    Ê perguntinha difícil… Principalmente quando o tal de coração se mete…

    Bom o texto!

  4. Marcia 6 de May de 2013
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    Adorei. O parágrafo citado pelo colega acima, de fato diz tudo. Somos demasiadamente COVARDES. Ja trai e fui raida e sei que disso não tiramos nada de bom. Só dor. Hoje não caio mais nessa covarida tremenda. Prefiro ficar só se for p ter mais de um…ou esperar com o PA da vida ( perdão mas tb temos esse direito) …até aparecer alguem que eu nunca deseje trair…

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