Share, , Google Plus, Pinterest,

Imprimir

Posted in:

Ressaca

Eventualmente você se puxa de volta, melhor que seja voluntariamente.

mar

Respirei o ar salgado e úmido, sempre como se fosse a primeira vez. Os pés mergulhados no que considero lar, um choque térmico, químico e espiritual daquela que se ausenta por muito tempo de casa. Me chamando para perder o medo. Medo de entrar em mim e me afogar. Nada me toca tão profundamente como entrar no mar. É a dor e a delícia do retorno para aquele que é meu porto seguro, e de seguro não tem absolutamente nada. A conexão da minha alma com o físico, o momento de reflexão e paz. Haja coragem, coração.

Sempre tive uma conexão incrível com o mar. Me identifico com essa força da natureza como se eu fizesse parte dela. Gosto de pensar que a àgua salgada salta dos meus olhos é pedacinho de mar, me chamando para casa, para me encontrar comigo, arrumar a bagunça, encarar a ressaca e esperar a calmaria deitada sobre a areia enquanto as ondas acariciam meu corpo num cumprimento que só eu e ele entendemos. Presto contas de quem eu estou sendo quando estou longe de mim, reorganizo e volto para a vida.

Passei o ano alienada dentro de um cubo de vidro climatizado, distraída de mim, por que boletos vencem e a gente tem que dar conta deles. É a vida real, e ela surra todos os aspectos da sua personalidade lá no fundo do breu ao ponto de você passar tanto tempo sendo: profissional, amiga, filha, namorada ou peguete que esquece de ser você. Não estou falando dos casos em que pessoas inseguras deliberadamente usam máscaras para esquecer de quem são. Estou falando de nós, pessoas pé no chão, que chamam na xinxa e encaram a vida de frente sem medo de ser feliz. A gente também perde a própria essência pro dia a dia. E quando o reencontro com a alma vem, é dia de ressaca.

Se eu sou oceano, tem gente que é vento, outros são terra, ou fogo, ou o duro concreto cinza de alguma cidade. Nesse início de ano convido você a se juntar a mim na redescoberta de si. Volte-se para dentro e viva a experiência de se apresentar para o porto do qual você se afasta quando a rotina está cruel demais e a Netflix, as redes sociais, a cerveja de sexta e o sexo casual representam uma fuga muito mais simples do que esse temido reencontro.

Feliz 2017!

Escrito por Caroline Marques

Carol não gosta de falar de si na terceira pessoa, mas uma bio exige isso (aparentemente). Direto na jugular, sem filtro, riso fácil e romântica cética incurável. Advogada, filósofa de bar e psicóloga chinfrin de qualquer pessoa que peça um conselho. Tem mania de analisar tudo e não chegar à nenhuma conclusão. O preço da sua afeição é medido em cerveja, coxinha e hambúrguer. #pas

6 posts

Um Ping

  1. Pingback:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *