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A diferença entre sorte e competência

Todo relacionamento é baseado em uma troca subjetiva de interesses...

Certamente você já ouviu a frase “você é um cara de sorte” ou “você é uma mulher de sorte” simplesmente por estar se relacionando com determinada pessoa. Sempre que me falavam isso eu pensava em uma resposta bem agressiva, respirava fundo, dava um sorrisinho e concordava. Mesmo não concordando, algumas vezes é melhor concordar para o assunto se encerrar o mais rápido possível e você ter paz pra continuar outro com outras pessoas mais interessantes. O que um relacionamento tem a ver com sorte, meu Deus do céu? Você acha que aquela pessoa que tem um relacionamento super agradável é apenas… Sortuda? Desculpe-me, mas você é um puta ignorante!

Todo relacionamento é baseado em uma troca subjetiva de interesses. Quando você se relaciona, você está nada mais nada menos que buscando suprir as suas necessidades mais íntimas. Única e exclusivamente suas necessidades. Mesmo que você se relacione com uma pessoa problemática somente para ajudá-la, você está na verdade querendo suprir sua necessidade de ser heroizinho. No entanto, há um preço: corresponder às expectativas da contraparte. Ninguém ganhou uma namorada como prêmio de bingo ou namorado como prêmio de rifa! É tudo uma troca recíproca de conveniência. É bem simples: se um cara rico quer apenas uma mulher gostosa e essa mulher gostosa quer apenas um cara rico… BAZINGA! Só organizar que todo mundo transa.

Não muito raro vemos declarações nas redes sociais, buquês de belíssimas flores chegando para sua colega de trabalho, cônjuges ganhando carros de presentes, motos…

– Nossa, mas que pessoa sortuda!

Mas sabe a primeira coisa que passa pela minha cabeça? O que será que ele fez pra merecer isso? O que ela fez pra merecer tamanho carinho e comprometimento? Sempre há uma caralhada de coisas por trás de cada gesto de carinho, amor, zelo, que são facilmente confundíveis com sorte! Você sabe o que o casal passa? Você sabe tudo que acontece com eles? As pessoas têm o péssimo hábito de ver apenas as pingas que tomamos e ignoram os tombos que levamos.

Foi você que aguentou a crise de TPM dela? Foi você que ficou ao lado dele quando ele sofreu um acidente? Quando ela ficou triste, foi você que a consolou? Quando ela precisou de ajuda, foi você que se dispôs? Quando ele queria ir ao estádio, foi você que foi com ele? Quando ela queria falar dos problemas, foi você que parou pra ouvi-la atentamente? É você que acorda e dorme pensando nessa pessoa? É você que consulta esta pessoa para tomar qualquer decisão? É você que faz planos, que se dedica, que corre atrás, que se empenha para o bem do relacionamento? É você que dá total e irrestrito apoio para essa pessoa? Que está ao seu lado mesmo quando ela der com a cara na poeira? Claro que não! É mais fácil para as pessoas ficarem se iludindo, achando que os frutos de um delicioso relacionamento se dão por sorte e não competência. Para uma pessoa frustrada, o que é melhor? Ela se achar infortunada ou incompetente?

Escrito por Renatto Neves

O mais completo paradoxo perfeito. Sou o protótipo da confusão. Uma mistura sutil de valores que intrigam a todos, inclusive a mim. Dono de opinião e cabeça dura. Ouvido e ombro de várias amigas, o que me rendeu grandes conhecimentos no âmbito feminino, pronto pra ser despejado em caracteres.

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